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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Multidão festeja o Senhor Bom Jesus em 2014

Seguindo firme a tradição religiosa, concluiu-se ontem, no Bairro Matosinhos, em São João del-Rei/MG, mais uma grande festa em honra ao seu padroeiro, o Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Após concorrido período preparatório de novena, com várias celebrações e a passagem de diversos celebrantes, a 14 de setembro foi comemorado o dia maior do jubileu.

Uma grande movimentação tomou conta do largo nesta festa de 2014. Estava cheio de barraquinhas de comes e bebes. No adro, além do tradicional leilão de gado e de prendas, um grande palco armado propiciou shows. Nas tendas aconteceu o jogo do víspora, além de vendas de pastéis e refrigerantes. Enfeites de bandeiras vermelhas e amarelas nos postes do adro, demarcavam as cores votivas e uma profusa iluminação completava o tom festivo externo. 

O altar estava muito florido, aliás, com primor, evocando a primavera. Destaque para as galhadas secas com flores artificiais amarelas, em artesanato à base de papel-crepom, lembrando a exuberante florada dos ipês amarelos, típicos desta quadra do ano. 

As missas e pregações se sucederam muito concorridas e eloquentes, num forte momento de evangelização. Uma multidão gigante ordeiramente lotou o adro e o largo. Ao cair da noite, em duas longas filas ocupou a Avenida Josué de Queiroz. Há alguns anos atrás o andor passou a ser levado sobre carro motorizado aberto. De uns tempos para cá, para contentamento geral, o andor voltou a ser carregado pelos fiéis na forma tradicional, sobre os ombros, não obstante seu grande peso. 

Notou-se a presença de muitos membros de irmandades da cidade e de crianças vestidas de anjos. A Banda Sinfônica do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, repleta de jovens, sob a competente batuta do regente Ronaldo Medeiros, deu uma nota de arte musical e alegria à procissão. O fluxo imenso de devotos comprovou, ainda, mais uma vez este ano, que esta é uma das maiores procissões de São João del-Rei, senão a maior delas. 

A veneranda imagem Senhor Bom Jesus de Matosinhos.

A procissão ganha as ruas.
A imagem é guarnecida pela Irmandade do Santíssimo Sacramento. 

Multidão de devotos presentes no grande jubileu. 

Enfeites florais do altar evocam a chegada da primavera
e se inspiram nos ipês amarelos, fartamente floridos nesta quadra do ano. 

Créditos 

- Texto: Ulisses Passarelli.
- Fotografias: Iago C.S. Passarelli.

Notas 

- Revisão: 26/05/2025. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O título jubilar


Jubileu é a festa religiosa que rende indulgência ao fiel, que está batizado, não excomungado e em estado de graça. Segundo o Código de Direito Canônico (Can.992), entende-se indulgência como: "remissão diante Deus, da pena temporal pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos".

O festejo do jubileu é antiquíssimo e tem bases bíblicas: era uma festa realizada a cada 50 anos, quando os campos deviam descansar e as propriedades negociadas voltavam ao dono original. Alguns escravos eram libertos. Abria-se o ano jubilar com o toque de uma trombeta de chifre de carneiro chamada em língua hebraica jobel, donde veio jubileu, pelo latim jubilaeum. Interessante notar a coincidência do número cinquenta: 50 anos – jubileu bíblico / 50 dias – tempo pascal, que se encerra em Pentecostes.

Pois bem, a Festa de Matosinhos cresceu numa proporção considerável. Os dados disponíveis, do século XVIII são poucos, mas é possível esta dedução pelo fato de que apenas em nove anos de existência (1774-1783) o festejo alcançou autorização papal para a forma jubilar, o que é um feito notável, índice inconteste de sua dimensão.


Breve Pontifício de 1783

Para se ter uma ideia do significado deste fato, frise-se que hoje (2009) somente quatro festas em toda a região tem tal título, a saber: Jubileu da Santíssima Trindade, em Tiradentes (datado de 1776), Jubileu de Nossa Senhora de Nazaré, em Nazareno (de 1864), Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em São João del-Rei (1924 – para a festa de 3 de maio e 1961 – para a festa de 14 de setembro) e o de Pentecostes, do Divino Espírito Santo, da  mesma cidade e paróquia (datado de 1783).

Este último foi concedido sob a forma de um breve pontifício, cujo original se encontra nos arquivos de Mariana, conforme notícias orais. Há em torno dele uma controvérsia infrutífera, que defende que esse jubileu foi concedido para o festejo do padroeiro e o Divino entrou por assim dizer de carona, o que não passa de ponto de vista sobre o mesmo documento, já que textualmente isto não conta do documento. O fato é que a concessão jubilar beneficiava conjuntamente as duas devoções posto que se comemoravam juntas e ainda a de Nossa Senhora da Lapa. Porém, há de se frisar que foi concedido para a festa de Pentecostes, que desde sempre foi a data do Espírito Santo.

Hoje é conhecido graças aos estudos de Isabel Lago (2003), que na verdade o Papa Pio VI, que concedeu o breve, não favoreceu só a festa em questão com as indulgências plenárias. De fato Sua Santidade era pródigo em decretar jubileus, tanto que por meio de outros breves, a essa condição, elevou as seguintes festas consagradas ao Bom Jesus de Matosinhos: 

-              de Congonhas (3 de maio e 14 de setembro), em 1780;
-              de Conceição do Mato Dentro (3 de maio e 24 de junho), em 1787;
-              de Itabirito (14 de setembro), em 1789. 

No caso são-joanense o jubileu recaiu em data pentecostal; contudo, o orago da então capela era o Bom Jesus de Matosinhos, o que de alguma forma sintoniza este jubileu com os outros supracitados. 

Créditos

- Texto: Ulisses Passarelli.

Notas 

- Revisão: 26/08/2025. 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos

Reescrito de 2001, do documento da Penitenciaria Apostólica (Vaticano), renovando a concessão jubilar às festas do Bom Jesus

Pedido: “Beatíssimo Padre: Waldemar Chaves de Araújo, bispo de São João del-Rei, com sentimento de veneração para com Vossa Santidade, tanto em seu próprio nome, como no de José Raimundo da Costa, Coordenador da Pastoral Diocesana, e também Pároco da Paróquia ordinariamente chamada do ‘Senhor Bom Jesus de Matosinhos’, bem como, finalmente, no de todos os seus fiéis confiados com pastoral solicitude, sinceramente se manifesta e reverentemente expõe: do dia 5 até o dia 14 de Setembro próximos vindouros, na igreja matriz “de Matosinhos”, são realizadas especiais celebrações sacras para estimular os fiéis, a fim de que fortifiquem e aumentem a devoção para com o Bom Jesus Cristo Nosso Senhor, aproveitando a feliz oportunidade das comemorações jubilares de Seu Templo. Assim, para mais persuadir os fiéis a participarem dessas celebrações e desse modo sejam animados a receber os frutos da Fé, Esperança e Caridade, o dom da Indulgência Plenária ajudará para o máximo proveito, o qual, por isso, o Exmo. Suplicante implora, humilde e confiantemente, a Vossa Santidade. E Deus, etc. Dia 17 de julho de 2001.”


Resposta: “A PENITENCIARIA APOSTÓLICA, por especial mandato do Sumo Pontífice, concede de bom grado aos fiéis, nas condições costumeiras (a saber: sacramento da confissão, comunhão Eucarística e oração na intenção do Santo Padre) e, afastada qualquer afeição ao pecado, lucrarem Indulgência Plenária, do dia 05 até o dia 14 de setembro de 2001: 1) quantas vezes visitarem em grupo, piedosamente, a Igreja Matriz “de Matosinhos”, e aí participarem de alguma função sagrada, ou, pelo menos, rezarem o Pai-Nosso e o Credo; 2) igualmente participarem devotamente, na dita Igreja, de uma função sagrada ou, pelo menos, rezarem o Pai-Nosso e o Credo. Nenhum impedimento contrário. + Aloísio de Magistris. Regente. Pe. João Maria Gervais”

Créditos

- Transcrição: Ulisses Passarelli.

Notas 

- Revisão: 09/11/2025.