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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Festa do Divino 2017: programação básica

Há vinte anos atrás iniciava em maio a Festa do Divino em formatação que privilegiava os elementos litúrgicos, históricos e culturais, primando pela harmonia entre a fé e a tradição. Aquela festa de 1998 entrou para a história como um resgate religioso-cultural devido ao árduo esforço de uma pequena comissão de festeiros, sob a organização do artista sacro Osni Paiva e direção do Padre José Raimundo da Costa, que não mediram esforços para dar nova vida e impulso a uma festividade setecentista, praticamente em ocaso por 74 anos! A ação ousada, mas bem planejada, surtiu efeito. A festa fixou-se, passou por algumas reconfigurações e mudanças da equipe, mas prossegue como a maior festa religiosa envolvendo a cultura popular da região. 

Com o tema "Maria, Templo do Espírito Santo" inicia-se com uma vigília no próximo dia 23 de maio a tradicional festa jubilar em honra ao Divino Espírito Santo na Paróquia do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em São João del-Rei/MG. Finda a Santa Missa, sob o toque de caixas, haverá a tradicional entronização da imagem do Divino junto ao trono do padroeiro. 

No dia seguinte inicia-se a novena, sempre após a missa das 19 horas. Destaca-se que antes da celebração do primeiro dia da novena, 26 de maio, acontecem os levantamentos de mastros: na Gruta do Divino, no Salão de Santa Clara, na Igreja de Santa Teresinha e no próprio santuário, sequencialmente, a partir de 18 horas. Os eventos religiosos desse dia incluem também adoração e bênção do Santíssimo Sacramento, além de confissões. Durante os dias da novena haverá participação das comunidades e movimentos paroquiais. Após cada dia da novena acontece um show no coreto da festa. 

No dia 28, consagrado a Nossa Senhora da Lapa, a Cavalgada do Divino parte as 9 horas da manhã, da Vila Santo Antônio. Na missa noturna, acontecerá a tradicional coroação da imagem da Virgem da Lapa, sob a voz do Coral Coroinhas de Dom Bosco. 

O sábado, véspera de Pentecostes, 3 de junho, a partir das 16:30 horas, principia movimentação na Igreja de São Francisco de Assis para início da Procissão do Imperador Perpétuo (Santo Antônio), com saída às 17 horas. A procissão tem grande relevância e atravessa o Centro Histórico, com a participação de vários grupos de folias do Divino, que fazem alternadamente toda a parte musical da procissão. A chegada ao santuário é sempre empolgante e festiva. As folias entoam também os cantos da missa, cada qual em seu próprio ritmo. Por fim, as folias fazem apresentações individuais no coreto da festa. 

Domingo de Pentecostes, dia 04 de junho, a alvorada típica acorda a população para o festejo e 8 horas acontece a missa festiva. Os congados chegam aos poucos, do município e de outras cidades, próximas e distantes, conduzidos ao café da manhã. Logo depois se apresentam no adro e no largo, até se deslocarem no meio da manhã para a Vila Santo Antônio, em cujo salão comunitário recolhem os reis e rainhas, trazendo-os em cortejo ao interior do santuário. 

Após o almoço, novo cortejo se forma, desta feita em direção à Vila Santa Teresinha, em cuja igreja, após ser visitada por cada guarda, recolhem o Imperador do Divino para as solenidades. A missa solene das 16 horas é uma celebração de elevada importância e concorrência de fiéis. Ao seu término, sendo celebrada pelo Bispo Emérito da Diocese de São João del-Rei, acontece a coroação do novo Imperador do Divino, eleito para este ano, Adilson Rodrigues Júnior, que receberá as insígnias do Imperador do ano anterior, Nelson Domingos de Abreu. 

Segue a procissão solene e luminosa, às 18:30 horas, concorridíssima. Na chegada ao santuário as solenidades se concluem com a bênção do Santíssimo Sacramento. O encerramento, no adro, se antecede pela descida dos mastros, seguida da despedida das congadas e show de encerramento. 

É uma festa na qual se irmanam sob as asas do Paráclito seus alegres devotos, levando emoção, transmitindo musicalidade e união. A Festa do Divino merece ser preservada, incentivada, prestigiada, salvaguardada e até mesmo registrada como elemento ímpar de nosso patrimônio cultural imaterial. 

Folia do Divino do Bairro Guarda-mor, Mestre João Matias. 23/05/2015. 

Imperador sob a umbela e sua corte, na Rua Padre José Maria Xavier. 23/05/2015. 

Marujos de Conselheiro Lafaiete, do Capitão Ganair: presença contínua desde 1998. 

Coroação do Imperador pelo Bispo Diocesano. 

Aspecto do almoço. 

Entrada dos Imperadores no santuário para a Missa Solene. 

Chegada do Cortejo Imperial. 


Descida do Mastro do Divino. 


 Créditos

- Texto: Ulisses Passarelli.
- Fotografias: Iago C.S. Passarelli, 15/05/2016 (outras datas indicadas nas legendas).

Notas  

- Revisão: 05/05/2025. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Procissão do Imperador Perpétuo

O Blog MATOSINHOS: história & festas apresenta mais um vídeo: a Procissão do Imperador Perpétuo. Ela é parte do Jubileu do Divino de São João del-Rei, que embora centrado no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, neste momento específico, véspera de Pentecostes, extrapola sua jurisdição eclesiástica e os limites do grande bairro. 

As 17 horas do sábado sai a procissão da Igreja de São Francisco de Assis rumo à de Matosinhos, atualmente atravessando o coração do centro histórico, pela antiga Rua Direita (atual Getúlio Vargas). É aberta por cavaleiros, portando o estandarte do Divino, além de flâmulas e guiões; seguem membros da Irmandade do Santíssimo Sacramento de Matosinhos e outras irmandades convidadas; vem a seguir os fiéis. Vários grupos de folias formam corpo com a procissão. Na sequência é a vez da corte imperial, ricamente trajada; segue o próprio Imperador e, por fim, a liteira carregada por militares, no interior da qual está a imagem do Imperador Perpétuo, Santo Antônio de Pádua. 

A festa, que existe desde 1774, incorporou esta procissão no seu desenvolvimento a partir das primeiras décadas do século XIX, desde que comerciantes da cidade elegeram Santo Antônio de Pádua para o cargo de Imperador Perpétuo (vide link ao fim da postagem). Com isto, todos os anos mudava-se o Imperador Coroado, mas o Perpétuo se mantinha. A procissão desapareceu ao longo dos anos, em data incerta. A própria festa foi paralisada em 1924 e depois voltou noutros moldes, bem tênue. Sofrera os efeitos da romanização católica e ainda a supressão motivada pela invasão de bancas de jogos de azar. Em 1998 a Festa do Divino foi reativada ou melhor, remodelada, com grandes cuidados nos aspectos religiosos e culturais e se mantém ativa e forte. Desde então foi retomada a figura do Imperador Perpétuo e sua procissão, colorida, cheia de fé e musicalidade. 

As folias no longo trajeto se alternam nos toques. A grande maioria é de folias do Divino da própria cidade e por vezes outras dos municípios vizinhos e no caso específico deste vídeo, observa-se a folia de Coqueiros (Nazareno/MG), a primeira a tocar, que não é do Divino, mas uma folia de Reis e São Sebastião. O vídeo termina no momento de uma breve parada na Gruta do Divino, onde sob a direção do sacerdote se unem em preces e cantos laudatórios ao Espírito Santo. 

A gruta está a meio caminho de Matosinhos. A procissão segue, embora o vídeo não mostre e na empolgante chegada as folias adentram o santuário e cantam durante a missa, cada grupo se responsabilizando por um canto litúrgico na sua própria toada. A seguir ganham um lanche e depois se reúnem em torno do coreto, no adro, para apresentações ao grande público, durante o encontro de folias. 

Assim é o sábado que antecede imediatamente o Pentecostes em São João del-Rei. É o último dia da novena e preparação imediata para o dia maior do grande festejo jubilar em honra ao Paráclito. 

Aspecto geral da chegada da Procissão do Imperador Perpétuo no
Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. 23/05/2015.

 

Créditos 

- Texto, edição do vídeo e acervo: Ulisses Passarelli.
- Vídeo e fotografia: Iago C.S. Passarelli, 23/05/2015.

Notas 

- Para saber mais a respeito leia:

  A PROCISSÃO DO IMPERADOR PERPÉTUO   
  FOLIA DO DIVINO DAS ÁGUAS FÉRREAS 

- Revisão: 08/05/2025. 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Entendendo a imagem do Divino

Elementos artísticos e interpretação do sagrado [1]


Em geral as principais representações materiais do Paráclito são em forma de pomba e de língua de fogo, inspiração livre nas escrituras bíblicas. Pomba e fogo aparecem artisticamente aplicados sobre uma pintura em estandarte, bandeira, flâmula, quadro, painel, medalhão ou escudo e em especial a pombinha branca aparece esculpida ou moldada sob a forma de imagem. É tal como o vemos no retábulo ou no forro de várias capelas e igrejas e ainda, na arte popular, figurando airosa nos estandartes de procissões e nas bandeiras de grupos de folia do Divino e alguns ternos de congado .

Perpassando estes elementos vemos que o artista executor da imagem ou da pintura, nas mais diferentes flâmulas e na imaginária, se vale de alguns artifícios para fixar a simbologia agregada ao Espírito Santo. Muitas vezes é acrescida de elementos simbólicos que reforçam as impressões populares pela adição de efeitos. Na tentativa de um entendimento, os elementos artísticos podem ser contemplados sob a forma de efeitos: 

efeitos luminosos: halo, fachos, raiadas, línguas de fogo, brilho, clarão;
efeitos de santidade: auréola, resplendor;
efeitos de poder: coroa, cetro;
efeito de pacificação e esperança: ramo verde no bico, interpretado como de uma oliveira;
efeitos sacramentais: 1- figuração de água – lembrança do batismo de Cristo no Rio Jordão; 2- pombinha ao centro de uma custódia – representação bastante generalizada;
efeitos de divindade: 1- pintura de nuvens se afastando para aparição da pomba; 2- nuvens em torvelinho ao seu redor, acinzentadas, em cataclismo; 3- céu se abrindo como se tragado de um plano superior donde emana luz, representado em gradação branca-amarela-laranja;
efeito de efusão: vento representado como tracejado paralelo branco-azulado-cinzento, saindo da pomba em direção à Terra;
efeito de movimento: quase sempre a pomba está de asas abertas, voando em graciosa lateralidade ou em fase de descida. Por estar suspensa em voo, confere a ideia de estar acima de nós, de um ser superior.

O lado místico se revela pela própria condição de uma devoção não antropomórfica, ou seja, existe uma dificuldade em confeccionar uma imagem do Divino ou pintá-lo, pois que o Espírito Santo não apareceu sob forma humana; não é como os santos, que foram gente. Daí o artista buscar os artifícios acima enumerados para melhor fixá-lo a partir da abstração natural.

A imagem do Divino Espírito Santo existente no Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em São João del-Rei/MG, é extremamente significativa como arte religiosa, por sua origem e elementos simbólicos. Ela é do século XIX. Traz a estética de seu tempo, mas ainda que tardiamente, está impregnada pelo barroquismo típico da cultura do Ciclo do Ouro em Minas Gerais. O simbolismo da vivência religiosa do período colonial nas "cidades históricas" reverberou além de sua duração formal. Foi doada pelo Imperador do Divino Tomaz Antônio Gonçalvez. Tem a forma de custódia. Atrás dela existe a seguinte inscrição: “Feita nesta cidade de São João del-Rei, em maio de 1868, por Manoel Pereira Maya, natural de Piracatu, por mandado do Imperador do Espírito Santo Thomaz”. Piracatu, ao que parece, é uma corruptela de Paracatu, cidade do noroeste mineiro. A inscrição foi descoberta numa restauração. Naquela ocasião foram retiradas dezesseis lâmpadas coloridas, com as respectivas boquilhas, que de forma inconsequente se fixara nas raiadas da imagem, descaracterizando-a. O acréscimo de gosto duvidoso fora realizado na segunda metade do século XX. Atrás, sobre a dita inscrição, um terrível emaranhado de fios punha a peça sacra sob o risco de incêndio, por um muito plausível curto-circuito. Considere-se que é feita de madeira. Retomou sua autenticidade.

Nela vemos a pombinha presa à peça principal por um pequeno gancho nas costas, o que a torna pendente de fato, pelo que, em procissão, conforme o balancear do andor, parece mesmo que está voando... Como plano de fundo existe o recorte de um triângulo equilátero, simbologia representativa da Santíssima Trindade, da qual o Espírito Santo é a Terceira Pessoa. Acima dela está esculpida uma coroa e dois cetros cruzados, elementos da realeza simbólica, poder, reinado, império, súditos que são os fiéis do Espírito Santo, o povo de Deus. O fato de serem dois cetros talvez ultrapasse a pura estética da composição: lembremos que se hoje temos apenas o Imperador do Divino, na festa do passado também tínhamos a Imperatriz. É plausível que os dois cetros possam ser alusão ao casal imperial.

1- Bandeira de congado,
Moçambique "Divino Espírito Santo", Piracema/MG
durante do jubileu em Matosinhos, São João del-Rei, 28/05/2012.

2- Medalhão aplicado a um estandarte de procissão.
Acervo da Comissão Organizadora da Festa do Divino, Matosinhos,
São João del-Rei/MG, 28/05/2012.

3- Quadro de mastro fincado diante da Igreja de Santa Teresinha,
Matosinhos, São João del-Rei, durante a Festa do Divino.

4- Imagem do Divino, Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos,
São João del-Rei/MG, 18/05/2013.

5- Bordado representativo do Divino numa antiga dalmática.
Acervo do Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus de Matosinhos,
São João del-Rei/MG, 25/03/2012.

6- Bordado representativo do Divino numa antiga dalmática.
Acervo do Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus de Matosinhos,
São João del-Rei/MG, 25/03/2012.

7- Pintura do Divino de autoria do artista sacro Osni Paiva, na bandeira da Folia do Divino "Embaixada Santa",
São João del-Rei/MG, 04/04/2012. 


8- Bandeira de Congado.
Marujos "Divino Espírito Santo", Conselheiro Lafaiete/MG,
durante o Festival de Congados daquela cidade. Foto: Ulisses Passarelli, 18/07/1999. 



9- Estandarte conduzido por rainhas de congado,
Caboclos "Divino Espírito Santo", Vespasiano / MG, 
durante o Jubileu do Divino em São João del-Rei / MG, 03/06/2001. 



10- Bandeira de congado, 
Caboclos "Divino Espírito Santo", Raposos / MG, 
durante Encontro de Congados em Tiradentes / MG, 26/07/2015. 



11- Bandeira da Folia do Divino "Embaixada do Bom Pastor", 
Bairro Bom Pastor, São João del-Rei / MG, sobre a cama de um devoto
durante a visitação do lar promovida pelos folieiros. 06/06/2014. 



12- Bandeira de uma Folia do Divino da década de 1960, já recolhida (grupo extinto), 
então sob a guarda de seu folião, Sr. "Geraldo Teixeira". A folia era situada no povoado do Brumado de Cima, distrito de São Gonçalo do Amarante, São João del-Rei/MG. Março/1999. 


Créditos

- Texto e fotografias (5-10, 12): Ulisses Passarelli
- Demais Fotografias: Iago C.S. Passarelli 

                                                                                                 Notas 

[1] - Texto adaptado para este Blog; originalmente publicado no Informativo do Jubileu do Espírito Santo, n.19, maio/2016, São João del-Rei, Comissão Organizadora da Festa do Divino Espírito Santo. 

- Revisão e acréscimo de fotografias: 18/04/2025. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Folia do Divino na missa


Folia do Divino "Embaixada Santa" durante a missa na 
véspera de Pentecostes, Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos,
São João del-Rei. Folião e Embaixador: Luís Carlos Rosa, Bairro Araçá. 

 Créditos

- Texto, edição e acervo: Ulisses Passarelli. 
- Vídeo: Iago C.S. Passarelli, 18/05/2013. 

Notas

- Revisão: 11/05/2025.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Procissão do Imperador Perpétuo 2015

Encerrou ontem o grande jubileu em honra ao Espírito Santo, a tão querida e concorrida Festa do Divino, cuja beleza e valor religioso nunca é demais exaltar. O Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em São João del-Rei, após os dias anteriores de novena, esteve lotado de fiéis nos dois últimos dias, favorecidos por um tempo aberto, embora frio. 

A Procissão do Imperador Perpétuo, no dia 23 do corrente, transcorreu bem na sua travessia pelo Centro Histórico, com certo atraso, verdade o seja, mas animadamente musicada pelas folias presentes, que ao longo de todo longo trajeto se alternaram na cantoria. Como de costume, o cavaleiro foi à frente em abre-alas, com o grande estandarte, ladeado pelos ponteiros, também a cavalo; na charrete veio o Mordomo da Bandeira, Sr. Mário Calçavara, folião respeitado e querido por todos. Muitas bandeiras vermelhas do Paráclito vieram na sequência, seguidas pelas folias, a corte, o Imperador Coroado, sob a umbela e guarnecidos pelos guarda-coroa de espadas em punho, e por fim, a liteira com Santo Antônio, trazida por soldados montanhistas do glorioso 11º B.I. 

O pároco de Matosinhos, ao centro da procissão, vinha com uma nova imagem do Divino em forma de custódia, abençoando os fiéis ao longo do caminho, com muito carisma. 

As casas em geral pelo itinerário foram receptivas, montando altares externos, enfeitando sacadas com toalhas e flores. Destaque para a comunidade da Gruta do Divino (onde aguardava a Folia do Carlão) e a de Santa Clara (onde ingressou o Imperador Eleito), bem como para a travessia Rua Bernardo Guimarães. 

A missa teve grande número de devotos e cada folia fez um canto da celebração.

Por fim, após um café com quitandas, as folias apresentaram-se no coreto para um excelente público. A apresentação contudo foi maculada por problemas de sonorização. 

Para registro segue o nome das folias do Divino presentes: folia das Águas Férreas, do folião Geraldo Elói; folia do Jardim São José ("Folia das Mulheres"), foliã "Lilia"; folia da Rua São João, folião Antônio Ventura (as três do Bairro Tijuco); folia do Guarda-mor, folião João Matias; folia da Colônia José Teodoro, folião "Carlão" (todas estas folias de São João del-Rei) e ainda, uma folia de São Sebastião, vinda de Coqueiros, distrito de Nazareno, do folião Celso Antônio da Silva, aliás, também presente no ano passado. 

O Imperador do Divino e o Pároco. 

Cavaleiros abrem alas. 


Aspecto geral da procissão. 


A cor de Pentecostes invade as ruas da cidade. 

Folia da Rua São João.

A tradicional Folia das Mulheres. 

Folia das Águas Férreas. 

Folia do Guarda-mor na Rua Getúlio Vargas,
primitiva Rua Direita. 

Folia de Coqueiros e ao fundo a Igreja do Rosário,
no centro histórico de São João del-Rei. 

Marungos da folia de Coqueiros. 

Folia da Colônia José Teodoro cantando durante a celebração
no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos.

A liteira no Santuário. 

Apresentação no coreto.
Nesta fotografia, a Folia do Carlão. 

Café dos folieiros, no Salão da Catequese. 

Último devoto.

Créditos


- Texto: Ulisses Passarelli.
- Fotos: Iago C.S. Passarelli, 23/05/2015.

Notas 

- Revisão: 12/05/2025. 
- Para saber mais sobre esta festa leia também:

DIA MAIOR DO JUBILEU DO DIVINO 2015

terça-feira, 5 de maio de 2015

Folias e congados expressam sua fé e cultura

Desde a mais remota origem em Portugal, as festas dedicadas ao Espírito Santo conservam uma relação muito íntima com a cultura popular. As manifestações folclóricas sempre foram parte importante das Festas do Divino, integradas aos elementos cerimoniais, compondo um conjunto festivo, alegre, cultural e evangelizador. Para que assim seja não deve ser mera apresentação. Deve haver conexão, para que a intimidade da alma devota se externe espontaneamente para o sagrado, conforme o viés de sua cultura.

Esta sua identidade pode variar conforme a região. Em São João del-Rei/MG, no Bairro Matosinhos, acontece sediado no atual santuário este festejo, onde a música, o canto e a dança se aliam em júbilo, em prece, como ferramentas de louvação, com respeito e sinceridade de coração, de nossos esforçados devotos e em especial, dos foliões e congadeiros, desde a remodelação do Jubileu do Divino em 1998.

Antecedendo a festa, bem antes da novena, as folias do Divino já iniciam sua jornada visitando residências, onde, com a bandeira do Paráclito na dianteira, cantam louvores, recolhem donativos para o evento religioso e anunciam a comemoração, convidando os moradores a participar do jubileu, bem à moda portuguesa e açoriana. Com seus instrumentos e vozes, as folias, após dias de jornada pelas ruas, se reúnem na véspera de Pentecostes para a Procissão do Imperador Perpétuo e para a missa do último dia das romarias. Sua participação é da maior relevância e sempre atrai muita gente. No coreto armado no adro, especialmente para esta festa, arrematam seu giro anual no encontro das bandeiras, quando todos os grupos cantam sua tradição em versos sob a audiência de uma significativa assistência. 

No dia maior, domingo de Pentecostes, é a vez dos congados, dos mais diversos tipos _ moçambiques, catupés, congos, caboclos, vilões, marujos _ que desde cedo chegam com um batuque de ritmos ancestrais, heranças musicais dos africanos. O canto congadeiro é um louvor, sua dança é uma saudação, seu toque é uma reza... O que o dançante faz é um ato de resistência cultural, mostrando a força dos negros e sua fé viva, conforme tal tradição. Os tambores elevam clamores! São porta-vozes ... Precisam ser ouvidos.

Já hoje, felizmente, alcançados alguns avanços à custa de grande e longa luta pelos direitos de igualdade, mas ainda com muita estrada a trilhar, muita coisa a se conquistar, vemos, contudo, a alegria da confraternização como brasileiros de fé, povo mesclado de etnias tão antigas, ricas e complexas, trazendo às novas gerações cantares, ritmos e danças variadas, emoldurados por trajes coloridos, chapéus enfeitados de fitas e flores. O corpo em dança descreve a trajetória do povo. É sua própria história dramatizada que ali vemos com emoção. A sinuosidade das fitas em balanceio parece mesmo o caminho cheio de volteios que o homem passa na Terra. No braço da viola, no fole da sanfona, no couro do pandeiro narram sua crença viva e sua história sofrida.

Não pode acabar; não deve parar! Os mestres foliões e os capitães congadeiros sofrem pelejas diversas e a cada dia percebem a dificuldade em recrutar o jovem para a renovação e continuidade de seus grupos.

O sofrido devoto se reafirma no congado e na folia. Mostra para quê veio, que existe, que tem força e devoção, que merece ser visto e ouvido, prestigiado. O Espírito Santo é a sua luz e direção, lado a lado ao rosário de Nossa Senhora, e todo o complexo cultural que traz consigo. A folia e o congado é parte da história do bairro e está ano a ano construindo um novo capítulo da história desta festa admirável, que é dinâmica e atrai os moradores de Matosinhos, do restante da cidade, da zona rural e das cidades próximas, além de turistas de longe.

A Festa do Divino é a oportunidade especial de presenciar e demonstrar esta maneira de ter fé e cultura. Em sintonia e harmonia, o povo de Deus festeja o Paráclito no império da cultura popular. A Comissão do Divino como gestora deste evento tem uma joia nas mãos, que merece o polimento e o cuidado sob as diretrizes do Imperador de cada ano. 

Congado do Bairro São Dimas, da Capitã Maria Auxiliadora Mártir, adentra
o adro do Santuário de Matosinhos. 08/06/2014.

Folia do Divino do Bairro Guarda-mor, dos foliões Fanico, Virgilinho e João Bosco,
apresenta-se no coreto da festa em Matosinhos. 26/05/2012. 

Créditos

- Texto: Ulisses Passarelli.
- Fotografias: Iago C.S. Passarelli.

Notas 

- Obs.: este texto foi escrito para o Informativo da Festa do Divino de 2015, nº18, boletim anual publicado pela comissão organizadora deste jubileu. 
- Revisão: 15/05/2025, com a observação que as Folias do Divino, desde alguns anos, ora praticamente só participam da Procissão do Imperador Perpétuo e apresentação no coreto, sem visitar casas, com raras exceções. Fazem apresentações individuais a convite. Na celebração, apenas assistem a missa como devotos comuns, sem cantar. No mais, o número de folias ativas no município encontra-se bastante reduzida em relação aos primeiros tempos da festa. Estas mudanças representam perdas culturais inestimáveis. 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Folia da Rua São João

                                       

Folia do Divino da Rua São João, Bairro Tijuco, São João del-Rei/MG. 
Folião: Antônio Ventura. Procissão do Imperador Perpétuo, 
Festa do Divino, Paróquia do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, São João del-Rei. 

"Folieiro caminhando,
com o Divino Espírito Santo!"

Créditos

- Vídeo e legenda: Ulisses Passarelli, 18/05/2013.
- Edição: Iago C.S.Passarelli. 

Notas 

- Revisão: 17/06/2025. 


domingo, 7 de abril de 2013

Festa do Divino: Folias do Divino


Pseudo vídeo: apresentação de slides em homenagem a algumas folias do Divino.
Foliões e folieiros são figuras humanas e personagens dos mais expressivos na composição 
do cenário festivo do Jubileu do Divino em Matosinhos, São João del-Rei/MG. 

Créditos

- Edição: Iago C.S. Passarelli.
- Legenda: Ulisses Passarelli.

Notas 

- Revisão: 18/06/2025. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Folias do Divino presentes no Jubileu do Espírito Santo (1998-2015)

JUBILEU DO DIVINO
FOLIAS DO DIVINO
PROCEDÊNCIA
FOLIÃO

EMBAIXADOR


ANO
Bairro Guarda-Mor
João Batista do Nascimento
João Batista do Nascimento
1998-2015
Bairro Guarda-Mor
Afrânio Batista de Paiva
Afrânio Batista de Paiva
Virgílio Moreira Sandim Filho
João Bosco
2005-2007,
2010
Bairro São Dimas
Raimundo Marino da Silva
Luthero Castorino da Silva
2000
Águas Férreas
Geraldo Elói de Lacerda
Luthero Castorino da Silva
1999
Antônio Leandro da Silva
2001
Ernando de Castro
2004
Jorge Cassiano Borges
2004-2008
Geraldo Elói de Lacerda
2009-2015
Jardim São José
Maria Inês dos Santos Zim
Maria Inês dos Santos Zim
1998-2000
Juliana Zim
2001
Maria Inês dos Santos Zim
2002-2015
Rua São João, Bairro Tijuco
Antônio Ventura da Silva
Antônio Ventura da Silva
2004-2015
Pio XII
Otávio José Gatti
Geraldo Domingos Resende
1998
Bom Pastor
Geraldo Domingos Resende
Geraldo Domingos Resende
1999-2015
Bairro das Fábricas

Sebastião Teodoro da Silva
Luís Carlos Rosa
1998-2005

Caieira
Ulisses Passarelli
Luís Carlos Rosa
2006-2009
Araçá
Luís Carlos Rosa
Luís Carlos Rosa
2010-2013
São Gonçalo do Amarante
Lourival Amâncio de Paula
Lourival Amâncio de Paula
2005-2006
César de Pina (Tiradentes)

Raimundo Ferreira da Assunção
Raimundo Ferreira da Assunção
1998
Pedro Paulo Ramos
2000-2003
Raimundo Ferreira da Assunção
2004
Pedro Paulo Ramos
2006
Raimundo Ferreira da Assunção
2008; 2014
Prados
Edmilson Cândido da Silva
"Marquinhos"
2005-2006

"Marquinhos"
"Marquinhos"
2008
José da Silva
2009-2010
Folha Larga/Carandaizinho (Prados)
José da Silva
Antônio Marcelo da Silva
2005-2010
Povoado do Fé (S.J.del-Rei)
Mário Calçavara
Jorge Cassiano Borges
2009-2010
Colônia José Teodoro (SJDR)
Carlos Leandro de Oliveira
Laurindo Camilo dos Santos
2013-2015
Restinga de Cima (Ritápolis)
José Maria de Sousa ("Zé Mário")
José Maria de Sousa ("Zé Mário")
2012
Elvas (Tiradentes)
José Silveira Nascimento
"Natal" / Antônio Francisco dos Santos
2012

Folia das Águas Férreas em marcha durante a Procissão do Imperador Perpétuo. 07/06/2014. 

Créditos

- Texto: Ulisses Passarelli.
- Fotografia: Iago C.S. Passarelli.

Notas 

- No ano de 2024, estiveram presentes as seguintes folias: Embaixada Santa (Bairro Araçá/Caieira - São João del-Rei), Folia das Mulheres (Jardim São José, Bairro Tijuco), César de Pina (Tiradentes) e Coqueiros (Nazareno) e Coronel Xavier Chaves. No ano de 2025, vieram as mesmas folias, exceto a de Coronel Xavier Chaves; mas compareceu também a do Elvas (Tiradentes).
- Revisão: 11/11/2025.