domingo, 18 de agosto de 2013

Praça Pedro Paulo antigamente

São João del-Rei/MG

Parte do corrimão da ponte de piso abaulado, que existiu onde hoje é a Ponte Presidente João Pinheiro. Notar: adiante, vacas pastando onde atualmente é a Praça Pedro Paulo; na extrema esquerda o barranco da via férrea e ao seu sopé a Estrada da Tabatinga, que ligava a cidade a Matosinhos; na extrema direita a extinta Ponte do Curtume, com seus arcos característicos, dando sequência de Matosinhos para Rua Cristóvão Colombo, já no Bairro das Fábricas, repleta de casario. Foto de autor e ano não identificados, gentilmente cedida por Silvério Parada. 

Recorte jornalístico de 1901, que noticia a denominação de Praça Pedro Paulo 
dada ao logradouro em questão.

Transcrição 

"A Camara Municipal, reconhecendo os relevantes serviços prestados pelo illustre Coronel Pedro Paulo da Fonseca Galvão, em sua sessão, do 28 do passado, deu o nome do benemerito militar, á Praça, que se estende, da ponte das Officinas ao Ribeirão d'Água Limpa. Foi um acto de justiça. Apresentamos ao Coronel Pedro Paulo os nossos parabens." 

Créditos

- Texto e fotomontagem de jornal: Ulisses Passarelli.

                                                                               Notas 

- Antes da denominação oficial a área da Praça Pedro Paulo era popularmente conhecida como "Fábrica de Louça", em razão do estabelecimento que existia nas imediações. 
- Fonte jornalística: O Combate, 03/07/1901, n.76, São João del-Rei. 
- Revisão: 09/04/2025.  

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Coração de Jesus: mais uma festa do Matosinhos antigo

Mais notícias de festas religiosas no Bairro Matosinhos vem à tona neste blog, trazidas das velhas páginas jornalísticas da cidade de São João del-Rei. Desta vez em honra ao Sagrado Coração de Jesus, devoção que ganhava força com o processo de romanização implantado pela Igreja. Mesmo antes de acontecer já se previa o grande número de comunhões, clara tônica do discurso romanizador, que destacava o sacramento da Eucaristia. A procissão seria pomposa, cheia de andores e estandartes. Velhos hábitos de uma antiga cidade impregnada pela cultura barroca. 

O jornal Acção Social, assim noticiou (transcrição respeitando a grafia da época)

Mattozinhos
Iniciar-se-ão hoje as festividades em honra ao Sagr. Coração de Jesus. Esperamos muitas comunhões e o maior respeito do povo religioso de Mattozinhos durante estes dias.
Na procissão de Domingo próximo serão conduzidos 5 lindissimos e riquíssimos andores e vários estandartes.
Agradecemos de antemão aos dois incansáveis Zeladores, os srs. Pedro Ferreira e João Pedro de Oliveira, que não pouparam esforços pelo melhor exito das festividades.
O coro está em efetivas condições e executará seu repertório com brilho e capricho, graças a infatigavel Directora Dª Amanda Telve de Faria Pereira. Que o sagrado Coração abençoe estes dias festivos.
O correspondente.


Referência

Acção Socialnº 423, de 28 de junho de 1928, São João del-Rei. 

Créditos

- Texto e fotomontagem: Ulisses Passarelli.

Notas

- Acervo hemerográfico: Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida.
- Revisão: 13/06/2025. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A Primeira Festa de Santo Antônio

Dentre as muitas devoções católicas que se festejam no Bairro Matosinhos, em São João del-Rei/MG, figura também a de Santo Antônio de Pádua, que já foi alvo de comentários neste blog. Porém a presente postagem traz à lume uma notícia veiculada pelo órgão de imprensa são-joanense, Acção Social. Seu texto menciona que a primeira festa dedicada a esse santo no bairro aconteceu em 1928. Eis sua transcrição (respeitada grafia da época), seguida de fotomontagem da matéria:

Mattozinhos
Celebraram-se aqui  no domingo passado, as solemnidades em honra a S. Antonio na egreja de Bom Jesus. Foi pela primeira vez que o grande thaumaturgo recebeu aqui homenagens do povo (... ilegível).
Houve grande numero de comunhões nesse dia e de tarde percorreu a vasta praça deste pittoresco logar uma (...) procissão. Subiu á sagrada tribuna o Rev. Pe. fr. Cherobin cheffe (?) do Gymnasio Sto.Antonio, que em palavras bem escolhidas nos mostrou o grande santo como modelo de vida pura com Jesus Christo. A banda de musica do 11 Regimento abrilhantou a procissão e o leilão, que foram muito concorridos. (ilegível) eclesiástica approvou a mesa recém-eleita para o anno vindouro.

Foto1: notícia da Festa de Santo Antônio.

O texto revela a simplicidade da programação, nada excepcional, com procissão, leilão e sermão; destaque para as comunhões, comum nas notícias de festas religiosas deste período. Elementos enriquecidos com a música da banda militar, que ainda hoje traz vasto e ativo trabalho cultural. A popularidade do santo garantia a continuidade da festa, visível na aprovação eclesiástica dos festeiros do ano seguinte. 

Foto 2: Santo Antônio na liteira. 

Sabe-se que em um passado bem mais remoto, um século antes, Santo Antônio dava à festa pentecostal de Matosinhos um ar muito pitoresco com sua eleição para o cargo de Imperador Perpétuo da Festa do Divino. Como tal era o principal protagonista de uma procissão que descia da Igreja de São Francisco de Assis rumo à de Matosinhos, quando a imagem do taumaturgo vinha em movimentos pendulares dentro de uma liteira, com grande acompanhamento de fiéis. Mais detalhes sobre este assunto estão em outra postagem neste blog. Este item foi resgatado na reativação da Festa do Divino de 1998. Prossegue até os dias atuais a Procissão do Imperador Perpétuo, sendo o santo também festejado no seu salão comunitário na Vila Santo Antônio (parte do bairro) e na capela rural da qual é orago, no povoado do Carvoeiro, dentro da mesma paróquia e município.

Foto 3: Capela de Santo Antônio do Carvoeiro, 09/07/2013. 

Referência

Acção Social, n. 422, 21 jun. 1928. Acervo Digital Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida, São João del-Rei.

Créditos

- Texto, fotomontagem 1, efeito artístico da fotografia 2, fotografia 3: Ulisses Passarelli.
- Fotografia 2: Iago C.S. Passarelli.
Notas

- Infelizmente, a má qualidade da fotodigitalização disponível no acervo digital deste jornal, dificulta ou mesmo impede a leitura de alguns trechos da matéria. 

- A Capela do Carvoeiro foi incluída formalmente na lista de bens protegidos em nível municipal  (Decreto nº 11.558, 16/12/2024, São João del-Rei), graças à aprovação e validação do Inventário de Patrimônio Cultural (IPAC/2018, Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural / Secretaria Municipal de Cultura e Turismo / Prefeitura Municipal). Mudou de jurisdição eclesiástica: passou a pertencer à nova Paróquia do Menino Jesus de Praga, com matriz no Bairro Pio XII, criada em junho e instalada em setembro de 2022, tendo como primeiro pároco o Padre Odair José de Carvalho. Fonte: 

SILVEIRA, Lucas. Paróquia Menino Jesus de Praga é instalada na Diocese. Diocese de São João del-Rei, 19 set. 2022. Disponível em: https://diocesedesaojoaodelrei.com.br/paroquia-menino-jesus-de-praga-e-instalada-na-diocese/  Acesso em 10 abr. 2025. 

- Revisão: 10/04/2025. 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A Procissão Motorizada de 2013

Aconteceu no Bairro Matosinhos, em São João del-Rei/MG, neste fim de semana, a tradicional Procissão de São Cristóvão. Este evento religioso se reveste de um particular aspecto graças ao cortejo automotivo e motociclístico. Sendo este santo padroeiro dos motoristas, nada mais adequado que este tipo de comemoração. 


No dia 04 de julho de 2013, às 15 horas, houve no Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus de Matosinhos uma missa festiva em honra a São Cristóvão, celebrada pelo pároco e reitor Padre José Bittar, com grande afluência de fiéis. A parte musical coube ao coro paroquial. 


Finda a celebração os fiéis se concentraram na praça principal do grande bairro, onde muitos carros, caminhões, caminhonetes, vãs e motocicletas já aguardavam a saída.


A procissão saiu em meio ao festivo repique dos sinos e toques incessantes das buzinas dos veículos. Motocicletas na frente, seguidas dos carros de passeio e por fim dos caminhões. 


O longo e barulhento cortejo seguiu buzinando em direção à Ponte do Porto, Santa Cruz de Minas, Colônia do Marçal, Av. Leite de Castro, Centro da cidade e daí ao Tijuco, pela Rua General Osório. O retorno foi pela Rua São João. De passagem pelo Centro, subiram pela Oito de Dezembro e por esta avenida ganharam a BR-265, passando pela Gruta de São Cristóvão, na paragem do Cala Boca. Para encerrar voltaram à cidade pelo Trevo do Elói, na retaguarda de Matosinhos, descendo o Pio XII, Bom Pastor e Vila Santa Terezinha, pela principal artéria de trânsito, a Avenida Josué de Queiroz, para encerrar na frente do santuário.

Sr. Gilberto de Sousa, baluarte e fundador 
da Festa de São Cristóvão em Matosinhos.

Resta dizer, que todo o trajeto teve entre os veículos, um caminhão de abre-alas com uma grande cruz iluminada presa na vertical, na carroceria, ladeada por duas bandeiras, uma do Brasil e outra da diocese. Outro caminhão, trazia na carroceria a imagem de São Cristóvão, cuidadosamente ataviada de flores em seu andor sobre cavaletes. Neste ano usou-se um andor convencional, em vez do tradicional, em forma de carroceria de caminhão. 

A procissão deste santo aconteceu neste ano em data mais tardia, no primeiro final de semana de agosto, quando normalmente ocorre no último de julho.

Créditos

- Texto e fotografias (04/08/2013): Ulisses Passarelli.

Notas 

- Revisão: 15/04/2025. 
- Clique neste link para visualizar melhor o aspecto da Procissão de São Cristóvão.



terça-feira, 30 de julho de 2013

As Festas de 1923

Não faz muito tempo este blog noticiou o nome da Imperatriz do Divino do ano de 1927, a esposa do ilustre Basílio de Magalhães, sra. Flávia Ribeiro de Magalhães. Prosseguindo as pesquisas, agora do ano de 1923, este post traz a lume os nomes do Imperador Antônio Balbino de Souza e da Imperatriz Antônia de Araújo Simões.


Em 1923, às vésperas da proibição ou remodelação imposta pelo processo de romanização da Igreja, os célebres festejos do grande bairro de São João del-Rei eram organizados por uma extensa comissão de festeiros, dividida em três grupos, um para cada dia de festa. O primeiro dia, Domingo de Pentecostes, dedicado ao Espírito Santo, era o com maior número de cargos, incluindo além do casal imperial, três caudatários (pajens da imperatriz), três pajens do estoque (vassalos do imperador), três alferes da bandeira (dentre os quais Samuel Soares de Almeida), vários mordomos e irmãos de mesa. 


Os outros dois dias, segunda e terça-feira, consagrados respectivamente ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos e a Nossa Senhora da Lapa (que o jornal pesquisado cita apenas como N.S. da Conceição), tinham cargos relevantes na figura dos juízes (as):

- Manuel da Cunha Lima (Bom Jesus)
- Carmen Mello (Bom Jesus)
- Amarante Araújo (Nossa Senhora)
- Anna Lopes de Oliveira Alves (Nossa Senhora)

Além do juizado um grande número de irmãos de mesa foi listado para cada dia. A lista de nomes se completa com três cargos importantes, servindo a todos os dias festivos: 

- Tesoureiros: André Bello / Irineu Cantelmo
- Secretários: João Francisco Nogueira / João Evangelista Pequeno
- Procuradores: Teophilo Rodrigues (1º dia) / Joaquim Rodarte (2º dia) / Eduardo Cancio Rodrigues dos Santos (3º dia)

Os procuradores tinham um papel especial na administração dos festejos, semelhante ao do atual presidente da comissão de festa. 

Mais uma vez, a listagem revela ainda nessa época, nomes importantes da sociedade são-joanense envolvidos com o evento, tais como o célebre fotógrafo André Bello, os maestros João Pequeno (que nomina uma rua do centro histórico desde 1949, o antigo Beco da Romeira) e Teophilo Rodrigues (notável regente da Banda Teodoro de Faria, por longos anos), dentre outros. 

Por estas alturas, os planos de mudanças para a festa já andavam à plena, pois uma notícia, da mesma época, revela a intensão de formar em Matosinhos um jubileu da Santa Cruz, pela passagem da data do 03 de maio, que converteria a formatação dos festejos para os moldes da festa de Congonhas, com a presença do próprio arcebispo, Dom Helvécio Gomes de Oliveira. 


No ano anterior já havia acontecido em setembro um jubileu dedicado ao Sr. Bom  Jesus de Matosinhos, o primeiro até aqui noticiado nesta data, anterior ao que imaginávamos como inicial (nos princípios dos anos 50). Notícia muito interessante, de leitura custosa, revela que, antecedido por uma novena, no dia principal, o Padre A.C.Rodrigues fez enérgico sermão enaltecendo os valores da cruz aos fiéis. Missa, concorrida procissão do Santíssimo Sacramento e sua bênção respectiva, te-deum e um destaque para o grande número de comunhões, mostram a nova diretriz festiva já esboçada e de linha bem evidente e firme. Mais uma vez, há a promessa de fazer para 1923 um jubileu "igual ao de Congonhas do Campo", segundo intensão do festeiro, Coronel J.Severiano da Silva, o que é muito sintomático. 


As diretrizes novas para os festejos de Matosinhos já estavam semeadas e em vias de implantação. A romanização estava a todo vapor. A supressão da festa em 1924 foi uma atitude drástica e marcante para deixar bem claro à comunidade a nova ordem de comemorações. 

Referências Bibliográficas 

- GAIO SOBRINHO, Antônio. Bandas Musicais em São João del-Rei e a Banda Teodoro de Faria. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, v.10, 2002.
- GUIMARÃES, Fábio Nelson. Ruas de São João del-Rei. São João del-Rei: FAPEC, 1994. 

Referências Hemerográficas

- Jornais antigos do acervo da Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida, São João del-Rei: 
   - A Tribuna, n.464, 18/03/1923
   - A Tribuna, n.468, 15/04/1923
   - Acção Social, n.858, 21/09/1922

Créditos

- Texto, pesquisa e foto-montagens: Ulisses Passarelli. 

Notas 

- Jornais antigos do acervo da Biblioteca Pública Municipal Baptista Caetano d'Almeida, São João del-Rei, disponíveis em seu site
- Revisão em: 05/06/2025 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O Auto-omnibus

O trem foi durante muito tempo o principal veículo de transporte urbano entre São João del-Rei e Matosinhos, o que já foi demonstrado em algumas postagens deste blog. Chagas Dória ainda está lá para comprovar, fantasmagórica estação morta. 

Havia é certo a "Estrada da Tabatinga", o caminho antigo, que vindo do Matola, atravessava o Córrego da Tabatinga (palavra de origem indígena, usada para denominar uma argila clara, "barro branco"), que desce da Caieira (hoje Bairro São Judas Tadeu), seguia para Matosinhos entre o Córrego do Lenheiro à esquerda, e a via férrea à direita. Esta estrada, outrora desprovida de casas ao redor, era o "caminho da roça", a estradinha do arraial de Matosinhos, com pouco trânsito, senão o de carroças, charretes, carros de boi, tropas, cavaleiros e alguém à pé. Com entrada pela Rua Bernardo Guimarães, passava diante da igrejinha demolida em 1970 e fletindo à esquerda, rumava para a Ponte do Porto. 

É o caminho velhíssimo trilhado pelos bandeirantes alucinados pelas riquezas minerais. Hoje asfaltado e cheio de casas no entorno é nada mais que uma rua comum, perdida entre tantas da urbe, com sua história calcada sobre calçados e pneus. 

Há noventa anos uma novidade surgia em São João del-Rei: a linha de ônibus, ou melhor "auto-omnibus", como se dizia na época. O primeiro era como um circular, que no começo de 1923 fazia um giro pelo Centro Histórico, Tijuco, Fábricas e Matosinhos (onde a passagem era de 200 réis). A Tribuna foi um jornal da cidade que registrou para a posteridade este pedaço da história que ao olhar atual se colore de aspecto pitoresco.  


No mesmo ano, pouco depois um segundo veículo da mesma empresa começou a reforçar a linha urbana, comprovando assim que houve demanda de passageiros. Ele sofreu um acidente que danificou a carroceria e quando da sua reforma foi noticiado pelo mesmo jornal que serviria à linha de Matosinhos


Segundo notícias orais os primeiros veículos eram "jardineiras", calhambeques com carroceria coberta, mas vazada nas laterais, contendo bancos de madeira onde iam os passageiros. Mais tarde foram substituídos por outros totalmente fechados, que aqui foram apelidados de "grisú". 

Créditos
Texto e fotomontagem: Ulisses Passarelli.
Acervo hemerográfico: Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida, São João del-Rei/MG. 

Notas

Revisão: 03/04/2025. 

domingo, 14 de julho de 2013

Uma grande festa

Em continuidade às pesquisas jornalísticas sobre o Bairro Matosinhos, em São João del-Rei/MG, e em especial sobre seus festejos religiosos, para esta postagem foram selecionados dois recortes extraídos do acervo (digital) da Biblioteca Municipal Baptista Caetano de Almeida, desta cidade. No que pese a qualidade da fotodigitalização disponibilizada do acervo hemerográfico deixar a desejar, especificamente no caso desses recortes de jornal foi possível proceder a transcrição, que segue: 


Transcrição: "Festa de Matosinhos. Foi eleita imperatriz da festa do Espírito Santo, a realizar-se brevemente no nosso pitoresco arrabalde de Matosinhos, a exma. sra. d. Flávia Ribeiro de Magalhães, consorte do deputado Basílio de Magalhães, representante do 4º districto mineiro e presidente da Camara Municipal de S.João del Rey." 

Fonte: A Tribuna, São João del-Rei, nº 846, 24/04/1927. 

Comentários: esta notícia é mais uma prova concreta que a festa não paralisou totalmente em 1924, mas sim, mudou drasticamente de rumos ou diretrizes. Três anos depois da paralisação a esposa do gênio intelectual Basílio de Magalhães se tornou imperatriz. Basílio era um dos diretores d'A Tribuna, historiador e figura destacada na política local. Eis a dimensão de importância da Festa do Divino nessa época. 



Transcrição: "Acha-se nesta cidade em propaganda da cerveja "Rhenaaia" de Bello Horizonte, o Snr. Ovidio Corrêa. Este senhor, para fins de propaganda da excellente bebida, installou em Mattosinhos uma barraca, onde tem obsequiado os freguezes com aquella ... [fina? Ilegível.] cerveja." 

Fonte: A Nota, nº 22, 28/05/1917.

Comentários: para divulgação de uma marca comercial o representante escolheu a festa de Matosinhos, coincidente com o período de sua vinda, para difundir seu produto. A popularidade e movimento da festa assim o permitiam, o que denota seu alcance regional.

Créditos

Texto e fotomontagens: Ulisses Passarelli.

Notas

Revisão: 14/04/2025. 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

São Libório


Libório é um nome de origem latina, de caráter gentílico, significando 'natural da região de Libora'. Há dúvidas sobre a localização exata da primitiva Libora, possivelmente na Península Ibérica. Porém é apontado como santo francês, Bispo de Le Mans (Departamento de Sarthe). O dia de sua festa era 23 de julho e mais tarde foi alterada para 9 de abril. O Papa João Paulo II instituiu o título cardinalício "São Libório", em 21 de fevereiro de 2001. (Fontes da web, mencionadas nas referências). 

Conta-se como muito milagroso. Suas primeiras intercessões teriam acontecido logo após a sua morte, no ano 400, com o corpo ainda presente. Teria realizado profecias e tido grande desprendimento dos bens materiais. É invocado contra todos os males urinários, problemas de bexiga, cálculo renal, cólicas de rins (SOBRINHO, 1997, p.52). 

Em São João del-Rei/MG, é representado por uma imagem de roca do século XIX, de braços articulados, busto como peça independe, encaixada à base por armação de réguas; pés esculpidos em forma de dois sapatos avulsos, sobrepostos à base. A solução da composição, típica da estrutura dita 'de roca' mostra-se de grande praticidade e leveza, sendo imperceptível sobre a vestimenta de tecido que reveste a imagem. É de autoria do artista sacro são-joanense, Joaquim Francisco de Assis Pereira. É mantida em veneração no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Apresenta-se vestida com trajes episcopais. Esta imagem foi patrimonializada pelo município por mecanismo de Inventário de Patrimônio Cultural (SÃO JOÃO DEL-REI, 2020). Além de Matosinhos, também possui uma imagem na Igreja do Rosário, no Centro da cidade.

A oração de São Libório diz: 

"(Sinal da Cruz) Bem aventurado São Libório, rogo-vos a vossa intercessão junto ao Onipotente para que este vosso contrito devoto não seja atormentado dos males de bexiga, cálculos, areia, frouxidão ou retenção de urina. Senhor Deus, que Vos dignastes conceder ao Vosso bem aventurado São Libório o poder de curar os males de bexiga, nós Vos rogamos que pelos méritos do Vosso Santo o Vosso servo (citar o nome) se veja livre dos tormentos que o afligem. São Libório curai... (benzer o local doente) São Libório socorrei ... (benzer o local doente) São Libório protegei... (benzer o local doente) (Rezar 3 Pai Nosso à Santíssima Trindade. Sinal da Cruz." ) (LIVRO DA CRUZ DE CARAVACA DA CAPA PRETA, s/d)

O folclorista Gutenberg Costa recolheu uma oração dedicada a este santo para intercessão nas causas de saúde renal, corrente no Rio Grande do Norte: "Senhor, pelo especial privilégio outorgado ao beato Libório contra os males dos cálculos, das pedras e da urina, fazei que (nome do doente) se veja livre do mal de (dizer o nome da moléstia) de que padece. Glorioso São Libório, rogai por nós, amém!" (Rezar três Pai Nossos em honra da Santíssima Trindade). (COSTA, 2025, p.62). 


São Libório, imagem do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, 
São João del-Rei/MG. 

Referências Bibliográficas

COSTA, Gutenberg. Rezadeiras do Rio Grande do Norte. Natal: Ed. IHGRN, 2025. 210p.il. 

Livro da Cruz de Caravaca da Capa Preta. 3.ed. Rio de Janeiro: Espiritualista, [s.d]. p. 131-132.  

SÃO JOÃO DEL-REI. Imagens Antigas de Matosinhos: Inventário de Patrimônio Cultural. São João del-Rei: Secretaria Municipal de Cultura e Turismo / Prefeitura Municipal, 2020. 54p.il. 

SOBRINHO, Antônio. Santos Negros Estrangeiros. São João del-Rei, 1997. 153p.il. 

Referências na Web

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cuerva (acesso em 26/06/2013)
http://it.wikipedia.org/wiki/Liborio (acesso em 26/06/2013) 
(acesso em 16/12/2014)

Créditos

- Texto: Ulisses Passarelli.
- Fotografias: Iago C.S. Passarelli, 2013. 
Notas

- Revisão: 07/04/2025. 
- Acréscimos: 01/10/2025. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

A Oeste de Minas e Matosinhos

Os antigos jornais de São João del-Rei do fim do século XIX e começo do seguinte estão repletos de notícias sobre a Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM). Como ela foi fundamental ao progresso e economia da região, nada mais natural que chamasse a atenção da imprensa da época e que fosse um elemento social importante.  Neste contexto tudo que envolvia a ferrovia era o centro das atenções.

Em Matosinhos não foi diferente. Sendo o mais próspero e querido subúrbio da cidade - querido literalmente! - a crescente evolução obrigou ao surgimento da estação própria, mas não sem polêmicas quanto à localização, como se deduz pelo fragmento jornalístico abaixo:


"(...) É assim natural que eu chame de trancendentaes as questões aqui em ordem do dia: a questão do modo de fazer a imprensa suas reclamações e o logar mais conveniente para a futura estação de Mattosinhos.(...) " (O Grypho, n.10, 24/11/1907)

A ferrovia tinha uma imensa demanda a cumprir. Além do movimento normal de passageiros e cargas, em outras ocasiões não cotidianas a sua administração era cobrada pela população, afoita por um apoio, a exemplo da atividade esportiva abaixo citada pelo hebdomadário: 


"Com a Oeste. No último domingo, com a realização do torneio irácio da A.S.E.A. no campo do Athletic, em Matosinhos, foi pedida á estação local uma composição especial para transporte dos que lá desejassem ir, mas isso foi negado... por falta de carros. Nós desejavamos saber onde foram parar os carros só para informar, é claro." (Folha Nova, n.10, 08/05/1932)

E nas atividades festivas tinha a empresa de se desdobrar. Nas pesquisas hemerográficas um grande número de referências se fazem claras e irrefutáveis, no sentido de provar o formidável movimento de composições ferroviárias entre a cidade e Matosinhos, como pode ser lido neste blog (ver o post Transcrições hemerográficas). Em 1917 o expressivo número de 154 trens (ver o post EFOM: algumas glórias do passado) foi registrado para as festas anuais de Pentecostes e da excelência do serviço prestado a nota jornalística abaixo nos dá conta: 


"A Oeste brilhou. O serviço de trens durante os festejos de Mattosinhos esteve irreprehensível. Não houve um desastre, um inconveniente, uma reclamação só, que viesse turvar a boa marcha do serviço que foi delineado por mão de quem conhece, a valer, o "metier" do movimento. Ao sr. Pinto da Silva, inspector do Movimento é que o povo deve irreprehensível serviço de trens, durante os dias de festa em Mattosinhos. Cabe também ao Movimento, repartição affecta ao Trafego, as nossas felicitações. Ao sr. Carlos Senna, inspector do 1º Districto que também eficazmente collaborou no serviço de trens, aos srs. conductores, emfim, ao Trafego, apresentamos nossas felicitações pelo exemplar e correcto serviço." (A Nota, n.24, 30/05/1917). 

Porém, mais que tudo isto, denota a grande importância de Matosinhos para o contexto de São João del-Rei, o saber, pelo recorte seguinte, que o grande bairro foi alvo de um planejamento da EFOM, para a instalação de oficinas ferroviárias, chegando-se a adquirir para tanto o terreno antes pertencente à Escola de Laticínios


"As officinas em Mattosinhos. Cessou de vez a grande influencia para a construcção das officinas da Oeste em Mattosinhos, nos grandes terrenos da extincta E. de Laticinios. Foi adquirido o terreno, levantada a planta... e nada mais, tudo como d' antes. Neste interim a officina de Lavras, que demanda grande orçamento, tornou-se na realidade mais real que imaginar se possa. A E. Saboia, empreiteira das obras, alli trabalha activamente, já estando muito adeantadas as obras do edificio, que parece ser de grande vulto. E parece, e o será, muito breve, emquanto que nós... ficaremos a ver navios." (A Nota, n.25, 31/05/1917)

Estas notícias de outrora são reveladoras da importância do bairro-cidade para São João del-Rei e da ferrovia para o contexto da época. Simples notas como as acima selecionadas, pinçadas ao acaso na poeira do passado, nos revelam por fim que as pesquisas tem de continuar, qual a ferramenta de um arqueólogo, a nos revelar relíquias de antanho.

Créditos
- Fotomontagens e texto: Ulisses Passarelli.
- Acervo de jornais: Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida, São João del-Rei/MG. 

Notas

- Nas transcrições foi respeitada a grafia de época.
- Revisão: 08/04/2025. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Vilão da cidade de Perdões

Na fotografia e vídeo apresentados nesta postagem está em destaque o terno de vilão do município de Perdões, Mesorregião Oeste de Minas, Microrregião de Campo Belo, durante participação na Festa do Divino Espírito Santo de 2013, no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em São João del-Rei. Os terno de vilões são típicos da zona oeste do Estado.


  
Créditos

- Legendas: Ulisses Passarelli. 
- Foto e vídeo: Iago C.S. Passarelli, 19/05/2013. 

Notas

- Para saber mais sobre este tipo de congado ver a postagem: VILÃO, UM CONGADO DE CORTE  
- Revisão: 19/06/2025.