sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Fase áurea da Festa do Divino em Matosinhos

Dos primeiros cem anos de festas religiosas e populares no Bairro Matosinhos, em São João del-Rei/MG, pouco se sabe. As notícias são exíguas, lacônicas e esparsas. Portanto, traçar um panorama é uma tarefa ingrata e pouco fidedigna. Só com o surgimento do importante jornal Arauto de Minas, em 1877 é que se encontram notícias mais completas e frequentes acerca das festividades em questão. E a divulgação pela imprensa da época prossegue também noutros jornais antigos e pode ser rastreada até quase cinquenta anos adiante. 

Graças a isso foi possível compreender a evolução dos festejos e constatar que as três ou quatro últimas décadas do século XIX, devem ter constituído aproximadamente a sua fase áurea. A parte religiosa era bem desenvolvida e se dava a ela sempre grande destaque. Centralizava os festejos. Gravitando ao seu redor as atrações populares se baseavam em manifestações folclóricas de então, música de bandas e orquestras, espetáculos pirotécnicos, quermesses, leilões, iluminação atrativa, enfim, predominava o aspecto comunitário, o ambiente familiar, a alegria espontânea. Obviamente que um grau de grande organização e de estabilidade do programa festivo como esse em questão, não surge do dia para a noite. É o resultado de um longo trabalho vindo de décadas anteriores. 

Contudo, essa estabilidade se viu ameaçada pela invasão dos jogos de azar no final dos oitocentos, a princípio lenta, depois célere. As bancas de jogos dominaram o largo, espantando todos os divertimentos tradicionais. A imprensa demonstrou que nos primeiros anos do século XX a parte religiosa estava tênue e era apenas o pretexto que atraía a população, que realmente se interessava pelas apostas na roleta, jaburu, pavuna, dados, etc. O ar bucólico desaparecera na entrada dos anos vinte. A festa, então, era mais aristocrática que nunca ...

Créditos

- Texto: Ulisses Passarelli.

Notas

- Revisão: 19/09/2025. 

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