sábado, 15 de dezembro de 2012

A festa através dos tempos


As raízes da festividade do Espírito Santo devem ser buscadas bem antes que se tornasse conhecida sob este nome. A fonte básica vem do paganismo e está nas recuadas festas agrárias.

Foi com as primeiras colheitas que o ser humano deixou o nomadismo para se fixar na terra. Pode intuitivamente reconhecer que a indomável força maior da natureza era decisiva para o êxito dos plantios. Só algo superior a dominaria.

Essa noção elementar norteou a vida humana nos tempos primevos da humanidade, num elo com o invisível superior. O bom resultado da plantação não poderia deixar de ser comemorado com alegria, danças, fartura alimentar, oblações, agradecimentos àquelas forças que lhes favoreceram, visando outrossim assegurar boas safras futuras. Daí, mundo afora, as crenças em deuses ou entidades diversas ligadas à vida agrícola.

Os hebreus não foram diferentes e a santa escritura oferece documentação a respeito: “depois (da Páscoa), haverá a Festa da Ceifa, das primícias do teu trabalho, do que semeastes nos campos” [1]. 

Sua cristianização começa no ano da morte de Cristo. O Atos dos Apóstolos [2] ensina, que, no dia da Festa da Ceifa, no cenáculo, o prometido Espírito Santo veio em efusão sobre os apóstolos e Maria, qual línguas de fogo, precedido por um vento impetuoso. Para os judeus continuaram as festas de colheita, mas para os cristãos, começaram as do Espírito Santo. 

Contudo a cristianização foi lenta e na verdade não conseguiu abolir todos os sinais da primitiva origem. A força agrária da festa ancestral é forte demais e ainda hoje pode ser facilmente rastreada.


Congo de Carrancas na Festa do Divino de 2014. 

Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Foto: Iago C.S. Passarelli, 08/06/2014


[1] - Bíblia Sagrada, Velho Testamento: Êx 23, 16. Os judeus também chamavam-na de Festa das Semanas ou da Messe. 
[2] - Biblía Sagrada, Novo Testamento: At 2, 1-3. 

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