sábado, 15 de dezembro de 2012

Geografia da Festa

Geografia da Festa do Divino no Brasil: características gerais 

Ulisses Passarelli

            É por assim dizer unânime a ideia da vinda dessa festa para o Brasil via Portugal. Estudos confrontando a tradição aqui e além-mar tem sido úteis na compreensão das relações dos seus elementos festivos [1].
            Afirmam pesquisadores (entre os quais Alceu Maynard Araújo e Luís da Câmara Cascudo), que essa festa foi introduzida no Brasil (trazida de Portugal) no período quinhentista. Contudo a época exata é incerta dentro do período colonial.
            Uma referência remota surge da Bahia, ano de 1707, quando um arcebispo que proibira atos não litúrgicos nos templos e seus perímetros, abrira exceção àqueles dedicados ao Divino, o que sem dúvidas denota a popularidade e importância social que já atingira [2].
            Outra notícia antiga procede de Minas Gerais, de Nossa Senhora de Nazaré da Cachoeira, datada de 1738, localizada no arquivo de Mariana[3], escandalosa e pitoresca por sinal, pela farra de uns padres tocando viola e cantando modas junto a uma mulher forra, travestida de homem, sobre um carro enramado, em plena festa do Espírito Santo.
Mas foi de fato na segunda metade do século XVIII, que essas festas no Brasil começaram a se difundir mais, ou pelo menos é desse período em diante que surgem mais notícias: 1761 (Guaratinguetá/SP) [4], 1765 (Salvador/BA)[5], 1772 (Porto Alegre/RS)[6], 1774 (São João del-Rei/MG), dentre outras, decerto. Por esse tempo começam a vir os migrantes açorianos, que deram grande impulso a essas festividades no país. A questão com certeza merece maiores estudos.
            Com rapidez o costume se difundiu: foi averiguado em todas as regiões do país, não porém com a mesma densidade, sendo raro na Amazônia, raríssimo no Nordeste e ausente no grande sertão semi-árido, com algumas exceções. O centro-sul é área que mais pratica essas festas. É mister focalizar por regiões.
            No Norte uma característica é que as bandeiras do Espírito Santo são brancas, em vez de vermelhas como no restante do país. É consenso dos estudiosos que as Festas do Divino estão decadentes e mesmo desapareceram de muitos lugares dessa imensa área. No Amapá é muito tradicional em Mazagão Velho e Macapá, com folia do Divino e danças - marabaixo e vamonez. No Bairro Laguinho, na capital, levantam mastro e saem aos campos próximos para colher ramos de murta para a procissão, segundo PEREIRA (1951).
            Ainda este autor e também FIGUEIREDO & SILVA (1972) escreveram sobre a tradição no Amazonas, onde era então vestigial. No passado entretanto, teve grande popularidade. Os fiéis chegavam pelo rio, em canoas. Havia muitos comes-e-bebes e danças. Não faltavam os mastros, nos quais penduravam frutas (sobretudo bananas), sendo fincado com devoção sob o estrondo das ronqueiras. Montavam altar, adornado de flores e papel picotado. Os mordomos derrubavam o mastro ao fim da festa, dando cada um, uma machadada. As frutas eram comidas; a madeira, cortada e jogada no rio.
            FIGUEIREDO & SILVA (1972) noticiaram as comemorações do Divino em ocaso na região do Rio Cairari, dando retrato do cetro e coroa, insígnias que resistem como lembrança.
            Ainda PEREIRA (1951) descreve três tradições nortistas dessa festa: a canoa da iluminação, a varrição e a mesa dos inocentes.
            A dita canoa é uma embarcação do modelo conhecido por igarité, enfeitada com arcos de cipó sobre o casco, que seguram lâmpadas abastecidas por azeite de peixe-boi, sendo que cascas de laranjas verdes, cortadas ao meio, funcionam como recipientes do dito combustível das rústicas luminárias. Na saída a embarcação é escoltada pela folia do Divino e vão soltando as lâmpadas acesas rio abaixo até que, uma vez todas soltas na correnteza, retornam ao barco. As luzes se perdem na escura imensidão noturna das águas. Rezam as ladainhas e dançam madrugada a dentro até o dia clarear: lundu, valsas, quadrilhas. Antes porém de dançarem, cobrem a imagem do Divino com uma toalha branca.
            A referida mesa é uma refeição oferecida com exclusividade às crianças. É presidida pelo imperador, com seus trajes nobres, coroado e portando cetro. A folia do Divino está presente, rufando tambores. As crianças são servidas e diante de cada prato há um montículo de farinha. Depois delas os adultos podem comer  [7].
            A varrição é um ritual festivo para encerrar as comemorações que consiste em varrer a sede da festa, desmontar o altar, guardar os objetos usados (entregues ao “protetor do Divino”) e fazer o “pelouro”, que é o sorteio do festeiro do ano vindouro.
            LIMA (1959) cita sua existência no Pará.
            Tocantins apesar de ser estado integrado à Região Norte, tem contudo suas Festas do Divino seguindo ao modelo daquelas do Centro-oeste. Há folias do Divino, cavalhadas, novenas, pagamentos de promessas, banda de música, coroação, peditórios, mastros (sob a responsabilidade do capitão do mastro), missa solene, cortejo com o imperador coroado, oferta de doces, bolos, bebidas, alferes da esmola geral. No cortejo o povo acompanha o imperador segurando pavios acesos, de cera de abelha. Há baile. Aponta-se sua existência em Natividade (com cavalhada, folia do Divino e caretas), Monte do Carmo, Taguatinga, Tocantínia, Peixe, Paranã, Niquelândia  [8].
            No Nordeste destaca-se no Maranhão, com características próximas às amazônicas. Ocorre em muitas localidades mas é mais destacada em São Luís e em Alcântara  [9] .
            No Piauí é bem menos marcante. Há novenas e a folia do Divino, conhecida sob o nome de “bandeira do Divino”, com ocorrência em maio. Registrada em Oeiras e Simplício Mendes, por OLIVEIRA (1977).
            Desconheço referências de sua existência no Ceará, Rio Grande do Norte [10], Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
            A Bahia conheceu a tradição em Juazeiro (junho), Olivença (móvel), Porto Seguro (Pentecostes), Prado (idem), Bom Jesus da Lapa (com cavalhada) e Salvador. Informa VIANNA (1981) que há procissão com bandeira em diversos municípios. A principal característica da festa na capital baiana é o imperador menino, ricamente trajado, portando cetro, acompanhado pelo substituto, guarda de honra, irmandade religiosa com suas opas e banda de música, rumando para a prisão, onde ocorre o ritual da libertação dos presos na fortaleza. QUERINO (1955) esclareceu que esse ritual se dava através do pagamento pelo imperador da dívida que motivou a prisão, devolvendo assim a liberdade. Em Bom Jesus da Lapa comparece um curioso grupo de caboclinhos com a peculiaridade de usarem máscaras.
            O Centro-Oeste é um grande celeiro desta festa, notadamente em Goiás, onde alcança grande pompa: Pirenópolis (a mais famosa)[11], Goiás, Catalão, Santa Cruz, Jaraguá (com cavalhada, contradança e tapuios), Luziânia, Posse (cavalhada), Corumbá de Goiás (cavalhada), Mossâmedes, Itaberaí, Conceição do Norte, Dianópolis. No estado de Goiás são destaques as cavalhadas e as folias do Divino.
            No Mato Grosso os estudos de PEREIRA (1984) sobre cavalhada apontaram Festas do Divino em Poconé e São Luís de Cáceres, onde este folguedo aparece por ocasião do evento. MENDONÇA (1977) também as cita em Cuiabá, arrematando a festa. HAUG (1982) encontrou folias do Divino em Bonsucesso (Várzea Grande), Coxipó do Ouro (Cuiabá).
            Em Mato Grosso do Sul surge próximo à divisa com o Triângulo Mineiro. A folia do Divino tem aí características que lembram as folias de Reis  [12].
            O Sudeste é outro grande centro dessas comemorações. No estado do Espírito Santo, apesar deste nome é festa quase desconhecida. As informações disponíveis são parcas. Quando lá residi entre 1989-1992, só resistia em Marataízes, mesmo assim muito decadente, com o nome de “Festa das Canoas”, devido ao desfile embarcado no mar, com a folia, dentro de barcos enfeitados de bandeirinhas de papel. Dão várias voltas defronte a vila (então distrito de Itapemirim; hoje emancipou-se) e de tanto em tanto os barcos se encostam e a folia salta em pleno mar, de uma embarcação para outra. Noutro barco vai a imagem de N. S. dos Navegantes, que tem uma ermida na praia, sobre um rochedo. Por fim atracam e na praia mesmo, a folia canta longamente. Devotos trazem fitas de várias cores e põe na bandeira; dão uma esmola e retiram uma fita que lá já estava, abençoada. É o ritual da troca de fitas. Mais tarde a folia canta entre as dezenas de barracas de comes-e-bebes da praça, coletando óbolos. Vi as barracas lotadas de gente totalmente alheia à festa. A folia, muito simples, tinha uns cinco cantores, uma mulher levando a bandeira e o único instrumento era uma caixa. Consta que outrora também usavam viola e à noite dançava-se o caxambu. Os principais agentes dessa festividade eram os maratimbas, caipiras litorâneos daquela região. Esta festa foi estudada por BRAGA (1940), NEVES (1953-4) e PACHECO (1966). Na cidade de Viana, de forte influência açoriana, a festa se realizava em Pentecostes, tendo folia do Divino, imperador e imperatriz, segundo informes de MELCHIORS (1962). NEVES (1978) informa que a festa vinha desde 07/07/1817 [13]. Em Vila Velha seguiam-se aos moldes de Viana, destacando a folia e o canto do Te-Deum Laudamus, segundo DUARTE (1980). Foi registrada em Conceição da Barra, por OLIVEIRA (1949-50), com folia do Divino (saindo no Domingo de Ramos), distribuição de pães bentos, procissão, oferta de mesa de doces e bebidas. As folias do Divino, averiguei, independente de festas, havia em Iconha, Carapebus e Manguinhos (Serra), Fundão, Regência (Linhares).
            No Rio de Janeiro é agora rara mas já marcou época [14]. Houve folias do Divino no norte do Estado, região de São João da Barra, mas desapareceram. Persiste a festa em Saquarema, com destaque para a folia do Divino, com seu ritual de bênção da farinha. No litoral sul: Angra dos Reis e Parati - com folia do Divino, dança-dos-velhos, coquinhos, jardineira e moçambique bate-paus (vindo de Cunha/SP) - e na área metropolitana: Rio de Janeiro, Nilópolis, Niterói: com maior influência portuguesa direta. A irmandade nesta área é constituída por açorianos e descendentes. Há império, ladainhas, orações próprias, distribuição de carne (benta pelo padre), banda, foguetório. Um garrote é enfeitado e levado ao altar, onde lhe batem à perna fazendo-o ajoelhar diante do altar, quando então cantam acompanhados pela guitarra portuguesa. Dizem que é o “vitelo do Divino”. Também há leilão e coroação do imperador e imperatriz. FRADE (1979) estudou de forma competente estas festividades no Rio de Janeiro.
            Minas Gerais nutre grande amor a estas comemorações. O seu mapeamento de 1998 indicava cento e doze municípios onde se festejava o Espírito Santo, concentrado no centro para norte e noroeste. Em Montes Claros há nesta festa catupé, marujada, caboclinhos e outrora o bumba-meu-boi, segundo PAULA (1957). Em Diamantina, onde a festa alcança extraordinário esplendor, marujada, segundo MARTINS (1981), mas pode também ter caboclinhos. Este autor citou em outra obra que no norte mineiro o Divino é comemorado extensamente, com mastro, leilão, terços, ladainhas, enfeites de folhagens, bandeirolas, arcos de bambu para passar procissão, cavalhadas. Na festa que havia em Viçosa tinha cavalhada assim como em Brejo do Amparo. No Serro, marujada e caboclinhos. Em Novo Cruzeiro, no vale do Jequitinhonha, a folia do Divino é diurna e canta no período de 3 de maio a 2 de junho [15].
            São Paulo pratica intensamente a Festa do Divino, com grande riqueza de manifestações culturais. A folia do Divino é bastante divulgada no interior. Foi registrada em: São Luís do Paraitinga (jongo, dança-dos-velhos, caiapó, moçambique bate-paus, miota (boneca gigante, provável corruptela de minhota, ou seja, natural do Minho, Portugal) e boi, joão paulino e maria angu (casal de bonecos gigantes), Cunha (idem, além do boi-pintadinho), Silveiras (julho), Pindamonhangaba, Redenção da Serra, Natividade da Serra, Itapecirica da Serra, Nazaré Paulista, Santa Isabel, Mogi das Cruzes (com a famosa entrada dos palmitos), Santo Amaro, São Paulo, Avaré, Cotia, Salesópolis, Paraibuna, Laranjal Paulista, Santana do Parnaíba, Anhembi, Tietê, Piracicaba, Itu, Jacupiranga, Iporanga (junho), Nuporanga (julho), Piedade (agosto), Cananéia, Iguape, Itanhaém, Guararema, Ubatuba, Lagoinha (com diversas danças rurais: lundu, cana-verde, batuque, samba-rural, fandango).
            Os informes sobre o Paraná são pouquíssimos. É afamada a tradição de Guaratuba, com folias do Divino [16].
            Já em Santa Catarina a festa é mais difundida e guarda boa parcela de influência açoriana. Segundo SOARES (1979), pode ser vista em: Barra Velha (maio, junho), Jaguaruna (julho), Santo Amaro da Imperatriz (maio, junho) - com pomposa comemoração - Florianópolis (maio) - a “Festa da Laranja”. Tem sido intensamente estudada por Lélia Pereira Nunes.
            O Rio Grande do Sul ainda preserva a tradição, por exemplo em Osório, Viamão, Mostardas, Criúva, Segredo, Santo Antônio das Missões, Porto Alegre, São José do Norte. A influência açoriana é grande [17].


LOCAL
CARACTERÍSTICAS E PERSONAGENS ELEMENTARES
Criúva/RS
Mastro levantado com banda de música, capitão de mastro, toque de sino e fogos. Bênção dos tambores e bandeiras antes da saída das folias do Divino. O bandeireiro da folia é chamado alferes. Tropeiros do Divino (cavaleiros que recolhem o gado doado). Novena. Jantar. Baile. Missa Solene. Procissão. Imperador isolado numa figuração triangular formada por varas (o mais tradicional é a formação quadrangular). Encerramento da festa com baile, coroação da rainha e investidura das aias.
Mostardas/RS
Seis rapazes com opas vermelhas acompanham a banda para levantar mastro. Presença do festeiro, espadim (menino trajado de pajem e portando cetro) e alferes da bandeira. Novena: noveneira e festeira com bandeiras. Reuniões dançantes com jantares. Peditório. Dia Maior: missa, almoço festivo, procissão. O festeiro carrega a coroa e vai dentro de um quadro. Escolha do novo imperador. Jogos. Bailes.
Viamão/RS
Presença do imperador menino.
Mossâmedes/GO
Folias do Divino, encontro das Bandeiras, novenas nas fazendas, novena na cidade, mastro, fogueira, leilão, missa, procissão, banda, catira, bailes, imperador, capitão de mastro, alferes da Bandeira. Reza de terços. Coretos cantados no levantamento do mastro. Rancho alegre (para os comes-e-bebes e danças). Circos. Tourada. Dramas. Juízes para cada dia de novena. Fogos. Zeladores de andor. Imperador no quadro de varas.
Anhembi/SP
Cortejo fluvial embarcado: barracão das canoas, derrubada das canoas, festeiros da semana, leilão da noite. Mastro fincado desde o ano anterior. Viajam em irmandade com trajes específicos. Pousos, rezas, ladainhas, alimentação farta, dança-do-cururu, rojões e trabucos. Alvorada. Mastros nos pousos. Folia do Divino. Fogueira. Promessas, ritual dos amortalhados. Hinos a Nossa Senhora, andor de N. S. Aparecida saudado por folia do Divino, andor de São Benedito. Canto da saranga (cantochão caipira), revoada de pombos. Missa em honra a Nossa Senhora dos Remédios. Império do Divino. Coroação de Nossa Senhora. Barracas, tourada, parque de diversões. Missa. Almoço festivo. Leilão de gado e de prendas com banda presente. Procissão. Escolha do novo festeiro pelo padre.
Parati/RJ
Levantamento do mastro na Páscoa: irmandade do Divino, capitão de mastro, alferes da bandeira, festeiro e festeira, foguetório, banda, folia do Divino. Império com Insígnias. Dança-das-fitas, dança-dos-velhos, ciranda, boi-pintadinho, moçambique. Leilões. Missa. Coroação do imperador.
Saquarema/RJ
Mesmos padrões gerais. Ritual da Bênção da Farinha. Festeiro e festeira são chamados juiz e juíza. Há trono e império.
Nilópolis, Niterói, Rio de Janeiro/RJ
Irmandade particular do Divino Esp. Santo. Império com insígnias do Divino. Ladainhas, orações, distribuição de carne benta antecedida de passeata das reses enfeitadas que serão abatidas (vitelo do Divino), acompanhadas por banda de música. Cantorias ao Divino à moda portuguesa (desgarrada, tocada com guitarra). Leilão. Distribuição de roscas para alimentação. Coroação (imperador/imperatriz). Guarda de Honra. Foguetório. Bandeiras.
Mogi das Cruzes/ SP
Entrada dos palmitos. Festa começa na Ascenção do Senhor. Mastro. Comidas típicas. Moçambique e congada. Quermesse. Procissão com bandeiras do Divino. Alvorada. Gincana: pau-de-sebo, porco ensebado, corrida do saco, corrida do ovo. Catira. Folia do Divino. Império.
São Luís do Paraitinga/SP
Comidas típicas. Cavalhada. Danças folclóricas: moçambique, jongo, dança-das-fitas, folia do Divino, congada, joão paulino e maria angu. Encontro de bandeiras. Repiques de sinos. Foguetório. Procissão, missas, bandas de música, setenário, alvoradas, orquestra, bênção do SS. Sacramento. Império do Divino. Leilão de prendas e de animais. Imperador e pagens.
Rio Grande do Sul
Folias em Santo Ângelo, Cachoeira do Sul, São Luís Gonzaga, Vacaria, Sto. Antônio da Patrulha, São Francisco de Paula, Soledade (folias do Divino, ditas companhias). Folia benze a casa em dia de tempestade. Festa com jogos, comidas típicas, procissão, mastro. Porto Alegre: parque de diversões, barracas de jogos. Outrora foguetório. Eventualmente, bandas. Farta iluminação. Havia leilão de pombos que depois de arrematados eram soltos.
Santa Catarina
Folias em Campeche (Ribeirão da Ilha), Pantanal (Trindade), Capoeiras (Estreito) – na capital. Em Trindade, é tradição vender-se bergamotas em pencas como parte dos festejos. Os imperadores são duas crianças ricamente vestidas (presença de espadins). Folia em Mirim (Laguna). Bandeira escoteira (isto é, sem tocadores) em Tijucas, com imperador, que distribui títulos de nobreza: duques, marquesas, condes. Em Brusque e Blumenau a festa se limita a missa e quermesse.
Paraná
Folia do Divino em Guaratuba.
Brejo do Amparo/ MG
Imperador sorteado oferta comes-e-bebes e dá dinheiro para a festa. Rezas. Leilões. Batizados e casamentos. Ruas são lavadas, enfeitadas de arcos de bambu e tapetes de flores e folhas. Cavalhada, inclusive com o ritual dos encamisados.
Montes Claros/ MG
Festa em conjunto com a de Nossa Senhora Rosário e São Benedito. Missas. Reinado. Marujada, caboclinhos, catopé, cavalhada. Almoço coletivo. Distribuição de doces.
Cuiabá/MT
Cavaleiros fantasiados anunciam a festa. Cavalgada. Peditório com bandeira e cetro. Folia. Foguetório. Banda de música. Tourada. Dança do cururu.
Porto Estrela/MT
Rei, rainha, capitão de mastro, alferes da bandeira. O juiz é a maior autoridade abaixo do festeiro. Trono. Folia do Divino montada. Muitos enfeites e comidas tradicionais. Procissão. Danças: de São Gonçalo, cururu, siriri. Jogo de truco (baralho). Fogueira. No dia seguinte à festa os foliões tomam um banho no Rio Paraguai.
São Mateus/ES
Bodo. Folia do Divino. Bênção de pães na missa de Pentecostes.
Nazaré Paulista/ SP
Divino co-festejado com Sagrado Coração de Jesus e São Lázaro. Alvorada. Comidas típicas. Fanfarra, quermesse, leilão de prendas. Congada, moçambique, caiapó, samba folclórico. Pau de sebo, gincana, banda, duplas de violeiros. Folia do Divino. Missas. Procissões. Império. Terço e ladainhas.
Lagoinha/SP
Folia do Divino, moçambique, joão paulino e maria angu, congada, danças diversas. Gincana. Casa da festa. Leilão de gado. Leitão ensebado, corrida do saco. Alvorada.
Piracicaba/SP
Leilão. Foguetório. Encontro de canoas e bandeiras. Cateretê, dança do tangará, samba-roda, samba-lenço, batuque, congada, folia do Divino, cururu, cana verde. Irmãos vestidos como marinheiros.
Laras – Laranjal Paulista/SP
Terço, ladainha, cânticos religiosos, encontro das Bandeiras embarcadas. Foguetório. Mastro. Procissão. Leilão. Barracas. Rodeio. Capitão de mastro, alferes da bandeira.
Tietê/SP [18]
Encontro das canoas. Cururu, folia do Divino. Apresentações artísticas. Banda. Foguetório. Procissão. Irmandade do Divino. Alvorada. Revoada de pombos.
Pirenópolis/GO
Alvorada da novena com a banda de couro (conjunto de tambores). Banda. Sinos. Missa e procissões. Mastro e fogueira. Mordomo da fogueira, da bandeira e do mastro. Imperador. Cavalhada. Congo, folias do Divino, pastorinhas, tapuios, vilão. Juizado de São Benedito e reinado de Nossa Senhora do Rosário (comemorada junto). Rei e rainha do Rosário, de S. Benedito, juízes de vara, ramalhete, cordão, flores (1º a 3º graus).
Goiás/GO
Folia. Novena solene. Imperador, alferes da bandeira, capitão de mastro. Serenata do Divino. Visita musical ao imperador. Mastro. Banda. Congos, tapuios. Alvorada com banda e missa festiva. Imperador escoltado com banda. Distribui-se santinhos e estampas. Fogos. Comes e bebes. Procissão luminosa.
Alcântara/MA
Caixeiras do Divino. Mastro. Doçaria típica (doces de espécie). Mordomos. Visitas musicais ao imperador.
São Paulo/SP
Folias do Divino. Império: barracas, pau de sebo, leilões, baile, ceia, desafios de violeiros, fogueiras.
Carazinho/RS
Imperador e pagens tem trono decorado na igreja. A insígnia que o imperador guarda durante o ano vem processionalmente para a igreja na abertura da novena e aí fica durante seu transcurso. Ao fim da festa, a insígnia é levada para a casa do novo imperador, em procissão, onde rezam no tempo certo um terço. Um almoço de confraternização finaliza.



[1] - PELLEGRINI, Ilza de Paula. Festa do Divino em Portugal e no Brasil. Leitura, S. Paulo, 9(98) jul.1990.
[2] - Citada por Riolando Azzi. O Episcopado do Brasil frente ao Catolicismo Popular. Petrópolis: Vozes, 1977.
[3] - LUNA, Francisco Vidal, COSTA, Iraci Del Nero da. Minas Colonial: economia e sociedade. (Apud TINHORÃO, José Ramos. As Festas no Brasil Colonial. São Paulo: 34, 2000. 176 p.il. p. 138-9).
[4] -  Nessa cidade paulista o dado foi levantado no Livro Tombo da Matriz, folha 5, por Lucilla Hermann, in: Evolução da Estrutura Social de Guaratinguetá num Período de Trezentos Anos. Revista de Administração, mar./jun./1948, n. 5-6. p. 49 (apud Alceu Maynard Araújo, op.cit). 
[5] - Na Cidade da Bahia a festa era na Matriz de Santo Antônio de Além Carmo. 
[6] - Conforme Reginaldo Gil Braga, em grupo de trabalho no XII Congresso Brasileiro de Folclore, 2006, Natal/RN.
[7]  - A mesa do inocentes ocorre em outras partes do Brasil como  pagamento de promessa. Outro processo ritual corrente no país é a mesa dos cachorros (PA, RN, MG), onde uma toalha com pratos de refeições é posta no chão e ofertada a vários cães como pagamento de promessa a São Lázaro, geralmente contra feridas incuráveis que cicatrizaram milagrosamente por obra deste santo.
[8] - Muitas informações sobre esta tradição noTocantins me foram pessoalmente fornecidas nos anos 2000 e 2001, pelo folclorista Francisco Pitombeira de Freitas, então Presidente da Comissão Tocantinense de Folclore, a quem agradeço pela gentileza e confiança.
[9] - Sobre a Festa do Divino no Maranhão, onde é célebre, ver: LIMA, Carlos de. Festa do Divino Espírito Santo em Alcântara. São Luís. 1972. 40 p.
LIMA, Roldão de. Festa do Divino em Alcântara. O Estado do Maranhão, São Luís, maio/1976.
VIEIRA FILHO, Domingos. As Festas do Divino Espírito Santo. São Luís. 1954.
[10] - Em Vera Cruz/RN, notei uma festa litúrgica em 26/11/1997, que tinha entretanto um mastro de ferro com uma bandeira do Divino nele hasteado, na praça fronteiriça à matriz.
[11] - Ver: DO VAL, Anamaria. Divina e profana. Globo Rural (revista), Rio de Janeiro, Globo,  n. 155, set./1998.
[12] - Informações pessoais gentilmente cedidas pela folclorista Marlei Sigrist, em 1996 e 1999, a quem agradeço. Em setembro de 2006, expôs no Congresso de Folclore realizado em Natal, onde passou informações importantes sobre as tradições sul-mato-grossenses, inclusivo acerca do Divino.
[13] - Baseado em Heribaldo Lopes Balestrero, Subsídios para o Estudo da Geografia e da História do Município de Viana.
[14] - Sobre a Festa do Divino fluminense ver: DUQUE, M. de Paula. Festa do Divino em Parati. Boletim da Comissão Fluminense de Folclore. Rio de Janeiro. 1970. n. 3. p. 25-26.
LAMAS, Dulce Martins. Festa do Divino: Angra dos Reis. Revista Fluminense de Folclore. Rio de Janeiro: CDFB / FUNARTE, jan./1964. n. 1.
LIRA, Mariza. Migalhas folclóricas. Rio de Janeiro. 1951.
[15] - I  LIVRO COLETIVO DE NOVO CRUZEIRO. N.Cruzeiro: COENA, [s.d.]. p. 6-7.
[16] - MULLER, V. de Sousa. Aspectos Tradicionais da Festa do Divino  no Paraná. Curitiba, 1956.
[17] - Ver: RIBEIRO, Paula Simon. Festa do Divino / BRAGA, Reginaldo Gil. Folclore Musical do Espírito Santo: Folia do Divino em Osório. In: AGRIFOGLIO, Rose Marie Reis (org.). Contribuições luso-açorianas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Comissão Gaúcha de Folclore, 2002.
[18] - Sobre a Festa de Tietê ver: PELLEGINI FILHO, Américo. O Divino em Casa, na Rua e no Rio. Osaka (Japão): Américo Pellegrini Filho / Hirochika Nakamaki, 1994. Senri Ethnological Reports 1 / National Museum Of Ethnology. 

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